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A alergia alimentar é uma reação adversa a alimento de ordem imunológica, ou seja, ela ocorre devido a uma reação inadequada do sistema imunológico frente a um tipo de alimento e que se manifesta através de sintomas gástricos e principalmente cutâneos.

Alergia Alimentar x Intolerância alimentar

É importante diferenciar alergia alimentar de intolerância alimentar. A intolerância alimentar ocorre devido a falhas na digestão/processamento (deficiências de enzimas) de certos alimentos pelo trato gastrointestinal e NÃO tem a participação do sistema imunológico. Já na alergia alimentar, o sistema imunológico, passa a identificar certos alimentos como “nocivos” passando a reagir contra eles.

Enquanto que na intolerância alimentar, os sintomas são principalmente do trato gastrointestinal com presença de vômitos e alteração das fezes, na alergia alimentar os sintomas são principalmente dermatológicos, manifestando-se por coceira no corpo, lambeduras das patas, otite, coceira em região perianal.

 

Quais alimentos que podem desencadear alergia alimentar?

A alergia alimentar pode ocorrer frente a qualquer alimento. Porém, os alimentos de origem animal como: carne bovina, frango, leite e derivados, ovo, peixe; assim como certas fontes de proteína vegetal como soja, trigo, milho são os mais implicados no caso de alergia alimentar em animais. Em animais, ainda não foi comprovada a alergia à aditivos e corantes alimentares, e o papel de frutas, legumes, verduras ainda também não foi bem estabelecido.

É importante, que o proprietário entenda que a partir do momento que o animal desenvolve alergia a determinado tipo de alimento, como por exemplo, carne bovina, seu animal vai reagir contra qualquer tipo de alimento que tenha carne bovina na composição, seja carne in natura, (independentemente do tipo de corte, ou se é com ou sem gordura), ossos bovinos naturais e artificiais, petiscos caninos ou rações que contenham carne bovina em sua composição, e assim por diante.

 

Meu animal sempre comeu um determinado tipo de alimento, então ele não pode ter alergia a ele?

Este é mais um pensamento enganoso, pois o processo que desencadeia alergia alimentar pode ser imediato (choque anafilático, raro em animais) ou extremamente longo (meses a anos). Ou seja, para que a alergia a determinado tipo de alimento possa ocorrer é necessário que o animal seja exposto a este alimento com uma certa regularidade, sensibilizando assim seu sistema imunológico frente a este alimento, até que em um determinado momento, este sistema imunológico já sensibilizado passa a não tolerá-lo mais, reagindo contra ele. Um exemplo: tem pessoas que sempre comeram frutos do mar e nunca tiveram problema de alergia, de uma hora para outra, no entanto, podem ter uma reação alérgica grave ao comerem frutos do mar. O mesmo é válido para o animais. O fato do animal sempre ter comido o mesmo tipo de alimento não descarta a possibilidade dele começar a ter alergia a ele, pelo contrário, quanto maior frequência e exposição a determinados tipos de alimento maiores são as chances e mais graves os sintomas de alergia.

 

Quais são as características ou sintomas da alergia alimentar?

A alergia alimentar pode ocorrer em gatos e cães de qualquer faixa etária, desde filhotes com menos de 1 ano de idade, a pacientes idosos com mais de 10 anos, podendo acometer animais de qualquer raça e sexo.

A real ocorrência da alergia alimentar é desconhecida. Acredita-se que 10% dos cães alérgicos podem ter sua alergia decorrente de alimentos, sendo a alergia à picada de insetos e a dermatite atópica muito mais frequentes.

O principal sintoma da alergia alimentar é a coceira, que pode ser localizada ou generalizada, principalmente em regiões de orelha ( quadros de otite repetitivo), região perineal, lambedura das patas, região inguinal e axilar, região de face periocular e perilabial, cervical (pescoço) e flancos.

A pele pode ficar rosada / avermelhada e podem surgir pápulas (bolinhas vermelhas) e urticárias. Por se coçar frequentemente, os animais podem começar a ter falhas de pelo, escoriações, descamação. Com agravamento e cronicidade do quadro alérgico a pele pode começar a escurecer (hiperpigmentação) e ficar espessa (hiperceratose e lignificação).

Animais com alergia alimentar, devido às alterações inflamatórias na pele decorrentes da alergia alimentar, frequentemente apresentam episódios de infecções bacterianas (piodermite superficial) e por leveduras (malasseziose tegumentar e otológica) de forma repetitiva. Em alguns animais, a alergia alimentar manifesta-se somente com quadros repetitivos destas infecções, sendo a coceira mínima ou até mesmo ausente.

 

Existem outras doenças de pele que são semelhantes à alergia alimentar?

Os sintomas causados pela a alergia alimentar podem ser muito semelhantes a outras doenças de pele como: piodermite superficial, erupção medicamentosa, malasseziose tegumentar, sarnas, alergia à picada de pulgas e principalmente a dermatite atópica. Por isso, é de extrema importância que o médico veterinário através de um histórico clínico detalhado e exames minuciosos possa fazer distinção destas patologias. Infelizmente, a dermatite atópica e alergia alimentar apresentam o mesmo comportamento e as mesmas características clínicas, sendo impossível distinguí-las clinicamente, devendo sempre que possível a alergia alimentar ser investigada antes do estabelecimento do diagnóstico definitivo de dermatite atópica.

 

Como é feito o diagnóstico definitivo da alergia alimentar?

O primeiro passo para o diagnóstico da alergia alimentar é excluir outras doenças de pele com características e comportamento semelhantes.

 

Existe algum exame que possa ser feito para diagnosticar alergia alimentar?

Atualmente, não existem testes de alimentos como os testes sorológicos ou intradérmicos que sejam confiáveis, padronizados para o diagnóstico de alergia alimentar em cães e gatos, portanto, estes não são recomendados atualmente para seu diagnóstico.

A única forma recomendada e comprovada para diagnóstico de alergia alimentar pela Sociedade de Dermatologia Veterinária Europeia, Americana e Brasileira é o teste de restrição alimentar seguido da reexposição do alimento suspeito.

Durante este período de restrição alimentar, o médico veterinário modifica a dieta do animal por um período de 6 a 9 semanas, no qual é avaliado o comportamento da doença frente a mudança da alimentação. Caso a causa da alergia seja alimentar, uma melhora dos sintomas clínicos é esperada dentro de no mínimo 30 dias. É válido ressaltar que a melhora clínica não é imediata, ela pode demorar até 30 dias após a modificação da dieta, por isso é que não se pode excluir a possibilidade de alergia alimentar antes de 6 semanas da modificação do alimento.

No caso de melhora clínica dos sintomas cutâneos com a modificação da alimentação, os alimentos suspeitos devem ser reintroduzidos um de cada vez a intervalos de preferência quinzenais, onde irá se observar a recidiva do quadro cutâneo frente a reexposição. O diagnóstico de alergia alimentar só é então estabelecido de forma definitiva quando o animal que apresentou melhora com sua retirada, volta a apresentar piora frente a sua reintrodução. Daí a importância de se introduzir um alimento de cada vez com intervalos semanais ou quinzenais entre eles.

Muitos proprietários, no entanto, frente a melhora clínica que o animal apresenta durante o período de restrição ficam desencorajados a realizar a etapa de reintrodução de alimentos suspeitos com medo de recidivas e, assim, preferem manter a dieta de restrição por tempo indeterminado.

 

Todas as rações no mercado ditas hipoalergênicas são realmente hipoalergênicas?

Infelizmente, nem todas as rações comercializadas como hipoalergênicas são realmente hipoalergênicas, o que gera muita dúvidas e engano. Por isso, a mudança da alimentação deve ser orientada pelo médico veterinário, que poderá optar por utilizar determinadas rações comerciais (especiais como as hidrolisadas ou formulada com novas fontes de ingredientes) ou até mesmo uma dieta caseira para a investigação do quadro de alergia alimentar. A escolha da dieta de restrição irá se basear no histórico de alimentação prévio do animal.

 

A colaboração do tutor do paciente é fundamental

Muitas vezes a dificuldade para se investigar e diagnosticar o quadro de alergia alimentar esbarra na falta de colaboração por parte dos tutores dos pacientes que, por hábito ou comoção com animal, não seguem as orientações de restrição alimentar de forma correta, o que infelizmente não permite a adequada investigação e diagnóstico da alergia alimentar.

Embora a alergia desencadeada por alimentos seja rara comparando-a com alergia à picada de insetos e a dermatite atópica, é válido ressaltar que a mudança dos hábitos alimentares, podem resultar na “cura” do quadro alérgico, permitindo assim que o animal fique livre de todo desconforto causado pela coceira e lesões de pele, melhorando sua qualidade de vida e o livrando do uso contínuo de medicamentos.

 

 

Se você e seu veterinário suspeitarem que esse possa ser o caso do seu cão, lembrem-se que vocês podem contar com os profissionais da VESP para o diagnóstico, tratamento e acompanhamento da alergia alimentar e demais doenças dermatológicas.

 

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Profa. Mestre Camila Domingues de Oliveira:Médica Veterinária formada pela Universidade Federal de Minas Gerais em 2004. Mestre em Clínica Médica com ênfase em Dermatologia pela FMVZ/USP em 2010. Pós graduada em Curso de Especialização de Dermatologia Veterinária pela FMVZ/USP e homologado pela Sociedade Brasileira de Dermatologia Veterinária em 2007. Membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia Veterinária desde 2006. Palestras e aulas proferidas em congressos, cursos de graduação e especialização em clínica médica e em dermatologia veterinária. Artigos científicos publicados em congressos e em revistas científicas.

 

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