Unidade Campinas: (19) 2515-3600 | Unidade Vinhedo: (19) 3876-1494 | Unidade Sorocaba: (15) 3357-6329

A população de felinos vem apresentando crescimento constante nos domicílios das grandes cidades. Com o aumento dessa popularidade, temos experimentado um avanço considerável na preocupação com as necessidades e manejo adequados para que tenham a melhor qualidade de vida possível.

Diferente dos cães

Os gatos são animais diferenciados, precisam de ambiente, alimentação, atenção e cuidados distintos daqueles destinados aos cães. Acompanhando essa tendência, a medicina veterinária aplicada aos felinos vem avançando na mesma proporção, em todas as suas especialidades. Dentro da cardiologia veterinária, o mesmo se aplica: existem inúmeras particularidades em relação ao coração dos felinos e avanços recentes têm contribuído para o melhor entendimento das doenças cardíacas que podem acometer a espécie. Vamos comentar alguns pontos importantes a respeito disso.

Cardiomiopatias

As doenças do músculo cardíaco, denominadas cardiomiopatias ou miocardiopatias, são as mais frequentes nos gatos, merecendo especial atenção. Podem ser de diversos tipos: hipertrófica, restritiva, não classificada, dilatada, arritmogênica. Dentre elas a mais comum é a cardiomiopatia hipertrófica, uma doença caracterizada pelo aumento da massa muscular cardíaca ventricular (hipertrofia). Nos ventrículos, que são as câmaras cardíacas responsáveis pelo bombeamento de sangue para fora do coração, a espessura do músculo cardíaco aumenta bastante e a cavidade ventricular fica pequena. Por conta disso, a capacidade de enchimento ventricular fica comprometida e, consequentemente, menos sangue é bombeado pelo coração. Em outras palavras, tem-se um coração que dificulta a entrada do sangue. O resultado disso é o represamento do sangue nas câmaras de entrada no coração (chamadas de átrios) e nas veias que levam o sangue até o coração. Muitos gatos acometidos apresentam como resultado a insuficiência cardíaca congestiva, geralmente caracterizada por acúmulo de líquido no pulmão (edema pulmonar) ou no interior da cavidade torácica (efusão pleural), ambos resultando em dificuldade respiratória. Alguns gatos também podem desenvolver um coágulo de sangue no interior do coração, pois o acúmulo de sangue nos átrios, praticamente como uma bolsa de sangue, ocasiona a coagulação sanguínea. Nestes casos esse coágulo pode migrar para fora do coração e obstruir artérias menores do corpo, frequentemente aquelas que irrigam membros pélvicos ou torácicos, resultando em paralisia súbita.

Prevenção é a melhor estratégia

Cardiopatias em felinosO diagnóstico desta enfermidade pode ser feito antes do surgimento de manifestações clínicas, possibilitando cuidados e monitoramento especiais ao longo da vida. Para ilustrar, podemos usar o exemplo daqueles gatos que precisarão ser submetidos à anestesia para algum tipo de procedimento cirúrgico, odontológico, diagnóstico, dentre outros. O conhecimento prévio da função cardíaca destes pacientes é fundamental para aumentar a segurança da anestesia a ser realizada, pois felinos com cardiomiopatias certamente necessitarão de cuidados especiais.

O exame clínico cuidadoso é importante para auxiliar no diagnóstico. Muitos gatos com cardiomiopatia hipertrófica podem apresentar sopro cardíaco. No entanto, nem todo gato com sopro cardíaco tem doença cardíaca, e nem todo gato com cardiomiopatia hipertrófica tem sopro cardíaco!

Algumas raças tem maior predisposição e merecem maior atenção, como Persa, Maine Coon e Ragdoll. A realização do exame ecocardiograma é fundamental para a identificação da hipertrofia ventricular. Na rotina clínica, trata-se da maneira mais segura para investigação das cardiomiopatias nos felinos. Com esses cuidados conseguimos oferecer o melhor para a saúde do coração desses companheiros especiais!

 

 

Procure a VESP

Se você e seu veterinário decidirem que chegou a hora do seu bichano ser submetido a um atendimento especializado, lembrem-se que vocês podem contar com os profissionais da VESP. Podem nos procurar unicamente para a realização de exames ou para consultas clínicas com atendimento especializado em cardiologia veterinária (e outras especialidades).

 

Agende uma consultaEncaminhe um paciente

Outros artigos sobre Cardiologia Veterinária:

Arritmias cardíacas no paciente geriátrico

Afinal, meu cão ou gato já é idoso? O processo de envelhecimento pode ser definido como uma redução progressiva na habilidade do organismo atender à demanda do ambiente. Todavia, a definição de paciente geriátrico é bastante relativa, uma vez que há diferenças na...

Remédios para o coração: por que tantos?

Vários dilemas, muitas vezes, passam pela cabeça de quem tem um cão com problema cardíaco: não é muito remédio? Não vai fazer mal? Precisa mesmo de tantos? Infelizmente todas as respostas, na maioria das vezes, levam à conclusão de que cães...

Hipertensão arterial sistêmica em cães e gatos

A hipertensão arterial sistêmica, tão comum nos seres humanos, também pode acometer os cães e gatos. Normalmente nos animais é causada por doenças em outros sistemas, como doença renal e algumas doenças hormonais, como o...

Língua roxa: é problema de coração?

Muitas pessoas já passaram pela seguinte situação: num passeio rotineiro percebem que a língua do seu cão começa a ficar escura e arroxeada. Damos a isso o nome de cianose e pode acometer não só a língua, mas mucosas dos olhos, boca e órgãos...

Cuidados com o coração do cão idoso

Assim como os seres humanos, os cães também apresentam uma série de modificações em seu organismo com o passar da idade. Infelizmente, nossos companheiros envelhecem muito mais rapidamente e precisam de cuidados especiais nessa fase da vida....