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Reabilitação de pacientes com distúrbios ortopédicos: Displasia Coxo-femoral

Já é do conhecimento de todos os proprietários de cães de grande porte a chamada displasia coxofemoral (DCF), doença caracterizada pela incongruência e degeneração da articulação da bacia (acetábulo) com a cabeça do fêmur. Acomete todas as raças, sendo mais comum nas raças de médio e grande porte, que apresentam rápido crescimento como Pastor Alemão, Fila Brasileiro, Rottweiller, São Bernardo, Labrador entre outras, mas já tem se tornado comum o aparecimento dessa doença em cães de pequeno porte como Daschund e Yorkshire. Acredita-se que a DCF possui etiologia multifatorial, sendo os principais fatores relacionados com o desenvolvimento da doença:

– Genético: A DCF possui herança poligênica quantitativa (aproximadamente 18 genes) de herdabilidade média a alta, ou seja quanto maior o grau de parentesco com animais displásicos maior é a probabilidade da prole ser displásica;

– Nutricional: Dietas com altos índices de energia, proteína e cálcio proporcionam um rápido crescimento e um ganho de peso excessivo (aumenta o peso sobre a articulação) induzindo ao desenvolvimento da DCF; Massa Muscular Pélvica: Animais com menores proporções de massa muscular pélvica possuem maiores chances de desenvolverem a DCF.

– Alterações Biomecânicas: Forças musculares que atuam na articulação coxofemoral ajudam a manter a cabeça do fêmur encaixada com o acetábulo. Redução, eliminação , ou exaustão das forças musculares levam a uma instabilidade na articulação e subluxação. O rápido crescimento do esqueleto em disparidade com o crescimento muscular também induz o aparecimento da DCF.

Os sinais clínicos geralmente começam aos 5-8 meses de idade, sendo que em alguns casos não aparecem até os 36 meses de idade. Os sintomas são extremamente variáveis. Os animais podem apresentar dificuldade ao andar, levantar, correr e subir escadas; dorso arqueado, andar cambaleante e claudicação; atrofia da musculatura dos membros posteriores; sensibilidade dolorosa local, sendo esta exacerbada após exercícios.

Não existe uma cura para a DCF, os tratamentos visam minimizar a dor, combater os sintomas e controlar a evolução da degeneração da articulação (osteoartrose) dando uma melhor condição de vida para o animal. O tratamento conservativo apresenta um ótimo resultado na diminuição da evolução do quadro e melhora dos sintomas. É preconizado a diminuição do peso do animal, a administração de condroprotetores e outras medicações que auxiliam no controle da dor e da progressão da osteoartrose, e, principalmente, o tratamento por meio da fisioterapia veterinária, que visa a redução da inflamação e da dor na articulação do quadril, além do ganho de massa muscular que ajudará na estabilização da articulação, diminuindo assim os sintomas e a progressão da doença. Caso que necessitam de cirurgia, como a colocefalectomia, denervação ou prótese coxo-femoral, devem ser indicados para reabilitação pós-operatória 1 semana após a cirurgia, pois o ganho de massa muscular atribuído a fisioterapia veterinária é importantíssimo para acelerar o processo de recuperação desses animais e o sucesso da cirurgia.

Confira o vídeo da Doty, uma pastora com displasia coxo-femoral que ficou 100% apenas fazendo fisioterapia veterinária

 

 

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